“The Empty Shell”

“Costumavam me chamar de oceano, se eu sou um oceano, acho que estou exatamente como quando o cara da bíblia separou os marés. De um lado, há aquele ‘eu’ do passado que só tinha uma coisa em mente durante um milhão de anos; no outro, está o ‘eu’ de agora, mais perdido que cego em tiroteio… Andando em uma corda bamba no abismo entre as Cataratas do Niágara, pendendo de um lado a outro… Um lado, mantém o pensamento de se estabilizar e continuar seguindo em frente. O outro, olha pra baixo e avalia a queda. Vai doer demais ou será instantâneo?!

Leia mais »

Como se diz “adeus”?!

“Não falo muito sobre minha vida passada, não falo sobre de onde vim, sou imortal e já vivi muito tempo, às vezes chego a esquecer que não pertenço ao mundo dos mortais. Esqueço que para eles, minha história não passa de folclores locais, mitologias e traços fantasiosos de um povo que já nem mais existe. O problema de ser imortal em um mundo de mortais, é que às vezes precisamos dizer ‘adeus’. E nem sempre, o adeus vem fácil… Há aqueles que dilaceram a sua alma e faz você querer trocar de lugar com que se vai.

Nuca fui alguém que aprendeu a dizer ‘adeus’, nunca precisei… Enquanto para os outros, as pessoas partem para sempre, por conta de quem sou filha, eu sempre os vejo novamente, mesmo que por uma fração de segundos. Ainda assim, há aqueles que ficam no underground por mais tempo. E por mais que devessem ir, continuo a vê-los. Sempre foi assim, por isso, nunca aprendi a dizer um adeus definitivo. Pessoas, mortais, próximos a mim… Eles ou alguém, me avisam, me deixam saber quando a hora chega. Sempre achei uma coisa meio inútil, saber e não poder fazer absolutamente nada para impedir. O sentimento de impotência é angustiante.

Leia mais »

Sangrando…

É engraçado como sempre acabo fazendo o contrário daquilo que prometo a mim mesma não fazer novamente. Sou como um viciado preso num ciclo infinito de dor. Prometo não me meter com pessoas de certa maneira, e passa um tempo, lá estou novamente… Dizem que sou um oceano, intenso e incontrolável, que parece calmo na superfície, mas que por baixo, pode estar até mesmo em guerra. Meu oceano não cabe em qualquer lugar, mas quando encontra uma praia que deseja sua presença, não consigo ignorar, e talvez, talvez, esse seja meu erro. Achar que àquelas praias realmente desejem o “oceano” especifico, no lugar de qualquer outro.

Uma única vez, por uma única vez… Em meio a solidão de um caos estabelecido no mundo, encontrei alguém que queria especificadamente a mim… Alguém que não procurava, mas encontrou, alguém que se deu tanto quanto me dei. Alguém que soube dar valor e realmente entendeu o significado de reciprocidade. Infelizmente nada nesse mundo eterno, a não ser eu mesma, e assim como veio, se foi… Àqueles tempos calmos, de sorrisos tímidos e palavras confiantes. Àqueles momentos que o tempo poderia parar e tudo poderia congelar, e para mim, não faria a menor diferença...

Leia mais »