Sangrando…

É engraçado como sempre acabo fazendo o contrário daquilo que prometo a mim mesma não fazer novamente. Sou como um viciado preso num ciclo infinito de dor. Prometo não me meter com pessoas de certa maneira, e passa um tempo, lá estou novamente… Dizem que sou um oceano, intenso e incontrolável, que parece calmo na superfície, mas que por baixo, pode estar até mesmo em guerra. Meu oceano não cabe em qualquer lugar, mas quando encontra uma praia que deseja sua presença, não consigo ignorar, e talvez, talvez, esse seja meu erro. Achar que àquelas praias realmente desejem o “oceano” especifico, no lugar de qualquer outro.

Uma única vez, por uma única vez… Em meio a solidão de um caos estabelecido no mundo, encontrei alguém que queria especificadamente a mim… Alguém que não procurava, mas encontrou, alguém que se deu tanto quanto me dei. Alguém que soube dar valor e realmente entendeu o significado de reciprocidade. Infelizmente nada nesse mundo eterno, a não ser eu mesma, e assim como veio, se foi… Àqueles tempos calmos, de sorrisos tímidos e palavras confiantes. Àqueles momentos que o tempo poderia parar e tudo poderia congelar, e para mim, não faria a menor diferença...

Tantas vidas vividas em um simples ano… Senti o peso deles me alcançar… E me vi quase parando de respirar… Tirei um tempo para voltar do lugar que vim, afastei-me e me isolei. Mantive-me nas minhas torres e de lá não teria saído, se não fosse o clamor de uma irmã. Voltei a superfície, mas quase sem vontade de retornar. Me atei a pessoas e um império que dependia de mim para voltar a se erguer. Mantive meu oceano controlado e o caos que vem com ele, trancafiado.

Eis que alguém retorna, um amigo que costumava ser muito querido… E mudanças, não ocorreram apenas do meu lado. Como um “padrinho do AAA” me vi ali, ajudando, distraindo, sendo um pouco a amiga de outrora, porém, um pouco mais do que nunca fui. Por um tempo, me adaptei. E achei que era, de certa forma, um entendimento recíproco. O mal de todos é ‘achar’.
Ele foge do que sente e cria associações que acha mais plausível, chama de ‘ansiedade’ ou ‘trauma’; entendo, então não questiono muito. Nessa minha nova versão, mantenho-me mais calada do que antes.

Gosto das sensações que me trazem essa nova perspectiva… Gosto da maneira fácil que nos envolvemos, da conversa alegre e dos flertes inusitados. Gosto do tempo que passo e daquele que ‘adio’ apenas para ficar mais tempo com ele. Às sextas… Sempre às sextas.. Por ser, ao meu ver, o dia que o tenho por mais tempo. Fins de semana era a companhia constante, me mantive acordada tantas e tantas noites, brigando com meu próprio caos, em nenhuma vez, me incomodei, pelo contrário, ansiava por esses momentos. E durante todo esse tempo, enquanto eu o enxergava, achei que fosse reciproco. É como eu disse, o mal é ‘achar’.

Veio me cortando durante o tempo que negava o que via; me perfurou com as palavras proferidas e me deixou sangrar… Pergunto-me se em algum momento analisou o que foi que disse, as palavras que usou, mas a julgar pelas buracos que continuam a existir, nem mesmo notou. Isso aconteceu numa sexta. De amiga à quase vilã, é sério que você não percebeu que foi basicamente isso que me acusou de ser?! O ciúme camuflado e o medo de sei lá o que, ignorei a mim mesma, ignorei o sangue que jorrou naquele chão de madeira, apenas para seu bem… Mas continuo a sangrar, toda vez que lembro do que disse. Toda vez que percebo que ao contrário de mim, não considerou um minuto se quer para pensar naquilo tudo.

Sei que o sangramento maior é sempre daqueles que a gente menos espera.. E, com certeza, eu não esperava desse aqui. Para alguém que o via como um todo, me senti em retalhos, brutalmente rasgada e deixada para trás. Como sempre, diga-se de passagem… Há coisas que não mudam pelo jeito. Apesar de ser desconfiada por natureza, apesar de ser um oceano intenso, até eu mesma, quero um minuto de paz… O mal das pessoas é ‘achar’, meu ‘mal’ é pensar que àquelas que estão próximos de mim não irão me destruir. Mas estou aprendendo… Sou imortal.. Leve o tempo que for, um dia, serei alguém que ninguém mais reconhecerá.”

Raven Slytherin



Obs:
Raven Slytherin é uma personagem própria, assim como a irmã gêmea dela, que irá protagonizar uma série que irei postar aqui no blog no futuro.

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