O Fim e o Começo…

Bonan Tagon!

Chegamos ao último dia do ano… Último dia de 2020, onde a maioria das pessoas parecem achar que só por conta disso o Corvid vai embora num estalar de dedos. Parecem acreditar que acabando “2020”, o vírus vai junto… Não sei se é fé demais ou sem noção, vamos no segundo, né?!
O que dizer sobre esse ano?! Afirmar que nunca existiu quando tanta coisa aconteceu – boas e más; chamar de “ano morto”, porque ficamos quase o ano todo presos em casa?! Se tem uma coisa que esse ano me mostrou é que uma hora as máscaras caem… De todo mundo.

E quando elas caem, você tem – finalmente – a absoluta certeza de quem é aquele que está ao seu lado; quem é o seu vizinho; quem é aquele que diz ser seu amigo; quem é aquele que te quer bem e quem é aquele que mente, engana e pensa apenas em si próprio.
2020 trouxe uma pandemia para o mundo, trouxe isolamento social, trouxe momentos bons e momentos tristes.. Ganhamos e perdemos pessoas na família; aprendemos ou estamos aprendendo a lidar com nós mesmos; descobrimos que amizades não dependem de presença física; percebemos que o nosso pequeno mundo, é apenas um entre tantos universos….

Um resumo do meu ano:

Tudo começou com as férias, seguida pelo Carnaval e mal voltaram as aulas, PE decretou lockdown. No inicio, pensamos que só duraria uns dois meses e olhe lá… Março e Abril, foram quase mais dois meses de férias, recheados com meus dramas e livros. Aquela minha paz que gosto e aprecio, ficar em casa nunca foi um problema pra mim.

Final de Abril, já sentia falta de juntar os primos na casa da tia e jogar… Gostamos de jogos de tabuleiro, nos reuníamos aos fins de semana quando todos podiam. O problema foi resolvido com os “hangouts”, todo sábado… chat online.. Junta todo mundo… Mas, bem, não deu muito certo… Gominhos tendem a falar todos ao mesmo tempo de assuntos diferentes, se é um caos ao vivo que dirá num chat online, né?!

Maio começou preguiçoso, a faculdade retornou com aulas online, um pequeno caos se instaurou com a dificuldade de alguns em acessar a plataforma nos horários. Eram alguns em redes, pijamas, cara de sono, sons de tv ao fundo ou vozes de crianças… Mas estava dando certo a sua maneira, para a maioria, pelo menos. Maio também foi quando comecei a jogar online… Não era a minha praia, o tal do “jogo social”, mas quando se tem aquelas casas lindas, fica difícil resistir… Iniciou-se uma distração que duraria alguns meses.

Avkn entrou na minha vida, e tornei-me (como sempre…) Raven Slytherin. Tinha um pouco de paz dentro do caos ao meu redor. Me dava a liberdade de ser eu mesma, podendo falar com gente do mundo e do Brasil inteiro. Conheci pessoas que de fato se tornaram minhas amigas na real, conheci babacas que recuso-me a lembrar que um dia existiram. Conheci pessoas que me consideravam uma “irmã mais velha“, e cheguei a considera-los como meus “irmãos” também. Conheci os melhores amigos que alguém em plena pandemia e a distância poderia querer.

Raven Slytherin teve a sorte de ter uma boa família; um melhor amigo que podia confiar todas as loucuras da cabeça; um “mestre” pra lhe dar dicas do jogo, mesmo que algumas tenham sido ignoradas (hahaha). Ela também teve o melhor namorado que alguém poderia querer, seu nerdzinho fofo. No geral, Raven teve mais momentos felizes que ruins… E só tenho a agradecer pelo “google play” ter me trolado e eu ter baixado o jogo sem querer.

Raven ajudou a Anna a encontrar pessoas que se tornariam insubstituíveis para ela. Hoje, os que permanecem na minha vida, nos meus contatos, são justamente, os que quero que permaneçam pelo tempo que quiserem ficar. Alguns deles, sabem o quanto sentiria muita a falta deles se um dia sumisse, mas espero que saibam que eu entenderia também. Achei que duraria apenas uma semana nesse jogo… Entretanto, durou quase 6 meses, quase uma vida. Onde me segurei em uma realidade online pra “fugir” dos meus problemas reais.

Mas se você foge por tanto tempo, um dia cansa… Um dia, os problemas te alcançam… E quando se fez planos para quando esse dia chegar, e sua mente tá perturbada demais pra aceitar qualquer outra opção… Bom, tragédias podem acontecer, né?! “Pressão” + “estresse” + “noites sem dormir” + “cansaço mental” + “planejamento (de certa forma)” + “brigas” + “desconfiança” + “apunhalada nas costas de ‘amigos’ próximos” + “falsidade” + “mentira” + “negação e enganação”, etc… Vai juntando tudo, vai fechando os olhos pra tudo, mas um dia, um dia, não dá mais… E nesse dia, você escolhe a corda arrebentada ao invés do “porto seguro”.

Começo de Outubro… E tudo foi para os ares. Ou melhor, caíram na escuridão. As crises recomeçaram aos poucos, em meados ao final de Agosto… Vinha e sumiam, sem muita pretensão de nada. Setembro, as crises, a insônia e a enxaqueca eram presença constante… Piorou com um incidente e quase uma fratura da costela. Setembro, eu andava em uma corda bamba… Escondia bem o quanto ruim estava… Máscaras, sou a rainha delas. 15 anos as usei, 15 anos… Setembro, o mês que escolhi fechar os olhos e fazer todas as escolhas ruins. Seguir na direção do abismo, pois já não aguentava mais. Gritava na minha mente que queria apenas dormir e jamais acordar.

Outubro… Mês do prazo final. Outubro, eu já não era eu mesma… Nem a concha vazia era mais uma concha, provavelmente, já havia se tornado areia do mar. Uma coleção de pequenas bolinhas coloridas: brancas, rosas, amarelas, pequenas e médias. Um copo de 700ml de Gin, para refrescar na noite de calor… Um sono sem sonhos, um último sono… Algumas últimas palavras.
Porém não foram as últimas palavras…

Chamem do que quiser chamar, tive a sorte de conhecer os melhores lighthouses do mundo, tenho a sorte de continuar a tê-los na minha vida. E espero, espero mesmo, que eles continuem até o fim dos tempos… Brinco que não sei viver sem eles, mas é a pura verdade. Implorei que desistissem de mim, que estou – ou sou – danificada demais… Eles continuam comigo. Eu não saberia mais viver sem eles, não me sinto em dívida com eles, sinto apenas amor. Amor por essa amizade improvável e que tenho dentro de mim com enorme carinho. Não saberia viver sem eles, pelo simples fato, que falar com eles alegram meus dias, por mais besteira que seja. Não importa se seja uma conversa tola sobre comida ou sobre jogos que nem conheço.

A suas maneiras, eles me fazem sorrir… A suas maneiras, eles entraram na minha vida e espero que desejem continuar pelo tempo que for… Fato, real, eu os amo. E parece que os conheço desde sempre. Fato real, vocês são importantes pra mim… A prova disso está nas pequenas coisas: do sorvete ao açaí, ou um fone de ouvido. Comida ou coisa material, nas cartas e páginas que sei que têm preguiça de ler, mas leem do mesmo jeito… Nos pequenos gestos… Nos sorrisos dos memes e das invejas de pratos de comida.

Outubro foi um mês que era pra ser o fim e não foi. E de certa maneira, acabou se tornando o mês onde “milagres acontecem”. Entre remédios, Genshin Impact, calls, whatsapp e terapia… As máscaras caem, as verdades entaladas são novamente gritadas em plenos pulmões e dessa vez… Ah… Dessa vez, elas foram ouvidas. O mundo saiu dos meus ombros e voltou para o de Atlas… Finalmente, eu sentia como se pudesse respirar outra vez. Acredito que seja verdade quando dizem que é notável na fisionomia de alguém o quanto ela se sente diferente, ouvi vários comentários sobre isso, nestes últimos meses.

Novembro chegou com a “promessa da eleição” ¬¬ Ou seja, viajar para Floresta, onde voto. Encontrar alguns membros da família, tirar algumas fotos, me distrair com minha Princesinha Sarah (sobrinha). Tentei me “presenciar” como sugeriu minha psicóloga, tentei não pensar no amanhã.. Tentei apenas “estar”, e estive. Durante todo o tempo que estive aqui. Mal voltei e fui convidada para a praia, passei uma semana de relaxamento junto com minhas tias. Mar, diversão e sem planejamentos… Nada melhor para recarregar.
Voltei para Recife para encontrar minha Princesinha na minha casa, um fim de semana com aquela fofura e os dias já eram de paz novamente.

E enfim, Dezembro… Maceió. Casa dos meus pais. Cidade que cresci, lugar de praias e de amigos de infância… Cidade que minha segunda família mora. Maceió. Dias de estresse; dias de risos; dias de séries; dias de jogo; dias de reunião de irmãos; dias de “trabalho”; dias de compras; dias de passar com a 2ª família; dias de sushi; dias com as bffs; e sim, dias de praia. Então é Natal… Meu irmão e Princesinha chegam, e titia para tudo pra ficar com ela. É muita fofura numa criança só! Dia de ligar e abusar um amigo à distância… Ele pode gostar de ficar sozinho em casa, mas não vai passar o natal sozinho… hunf! Me recuso! Surpresas…

Dia 25, chegamos em Floresta (eu, mamis, meu irmão e princesinha)… E cá estou desde então. Dividindo meu tempo entre remédios, Genshin Impact, livros, whatsapp, brincar com princesinha, ajudar mamis e me distrair o máximo possível.. A semana passa rápido e chegou dia 30, meus primos chegaram… Sessão de jogatina, sessão de risos e conversas, sessão de histórias antigas… Sessão de rever aqueles que moram longe e não aparecem muito…



Então, estamos no último dia do ano…

No começo do ano, aprendi a odiar a palavra “tempo“. Me acostumei com ela, por mais que ainda a desgoste. Nos últimos tempos, passei a detestar perguntas como “tudo bem?” Simplesmente porque não sei o que responder… Dependendo de quem me pergunte, tenho que responder que sim, pois não quero preocupar a pessoa, mas não sei se já estou “100% bem“, ou melhor, sei que não estou. Por hora, estou, se amanhã estarei, já é outra história. Tenho altos e baixos, mas ainda sei disfarçar.. Algumas manias são difíceis de se desprender, principalmente quando sei que tem olhos demais sobre mim.

Gosto de ficar calada e apenas observar, nesse ano, aprendi que ficar em silêncio é melhor do que dar respostas para perguntas que não sei ou quero responder. Retomei as coisas que sempre gostei, como meus dramas, meus livros, meus textos e aqui, meu blog… Continuo passando muito tempo ouvindo músicas, apenas ampliando mais os estilos, um certo alguém… De Wobi-wan de jogos, passou a ser meu Wobi-wan pra rap e hip-hop hahaha Sempre gostei de alguns, estou descobrindo novos (novos para mim) e gostando.

Liguei o “dane-se” para pessoas que não souberam dar valor ao meu oceano ou a minha amizade sincera, também afastei-me de coisas que estava me fazendo mal. Retomei antigos prazeres, descobri novos prazeres (Genshin Impact). Continuo tentando me “presenciar” mais, diminuir meus pensamentos e não criar expectativas para nada, além de mim mesma, do meu tratamento, do meu sono.. Coisas assim.

Último dia do ano, começo de uma nova jornada.. Tanto para mim quanto para outras pessoas, acredito eu.
Não será o fim instantâneo do Corvid, mas que as pessoas tenham mais consciência que só porque é 2021, não quer dizer que “estamos à salvo”. Desejo mais paciência e menos estresse. Mais momentos de paz e menos caos. Desejo que meus amigos e família fiquem a salvo do vírus e de quaisquer outros problemas que possam vir a ter. Desejo que vocês, leitores, lembrem que não existe apenas você nesse universo… O vírus é uma coisa séria, não se arrisque e arrisque o próximo!

À todos aqueles que tornaram (e ainda tornam) meus dias melhores, obrigado!
À todos aqueles que sabem o quanto são importantes para mim, obrigado e desculpe!
À todos, um Feliz Ano Novo e que o amanhã seja melhor para todos nós!

Gis la revido!

Um comentário sobre “O Fim e o Começo…

  1. Que ano foi 2020, né Bruce? Tanta coisa ruim aconteceu, e ainda está acontecendo, mas espero que tenhamos todos força para encarar 2021 de forma mais responsável e serena.
    Desejo que ele seja um ano de melhores notícias, de conquistas e que, dia a dia, você fique bem.
    Mesmo de longe, estou aqui viu?
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

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