Então é Natal…

Hellou Pessoas!!

Mais alguém sentiu que o ano pulou do Carnaval para o Natal?! Acho que todo mundo, né?!
2020 com certeza foi um ano que ninguém esperou que acontecesse, um ano que acredito ser praticamente unanime as pessoas dizerem “cancela”, “finge que não aconteceu”. De certa forma, pra muita gente ele realmente “não aconteceu”. Metade do ano, mais da metade do povo ficou – literalmente – preso em casa, lockdown na maioria das cidades, e mesmo quando aos poucos parecia voltar a “normalidade”, não retornou tanto assim. Por mais que alguns gostem de achar que tá “tudo certo”, “tudo bem”, e “vamos é sair e curtir… dane-se o resto do mundo”.
“2020” para muitos era um novo ano de realizações ou mais um ano de sobrevivência, mas pra mim, lá no inicio, bem antes da pandemia estourar… “2020” era o “ano final”, o ano limite que estabeleci há 15 anos atrás. O ano que eu não estaria mais “aqui”. Nem no blog, nem nas redes sociais, nem no mundo real.
15 anos atrás… 2020 era para ser o meu final…

15 anos atrás… Quando tive minhas primeiras crises, estabeleci uma data limite para mim mesma, se passado um certo tempo, eu não conseguisse realizar nem metade das coisas que eu gostaria, bom, seria o fim. 15 anos atrás… chegar em 2020 era “longe”, eu já estaria “velha demais” pra realizar o que queria se não tivesse conseguido antes. Então, “2020” foi estabelecido e outubro seria meu final.
Estamos em Dezembro de 2020, e cá estou eu… Em pleno Natal, escrevendo sobre isso… Mórbido, talvez você pense. Mas será mesmo?!

Quantas pessoas fizeram planos (espero que mais felizes que os meus) e não conseguiram realizar esse ano?! Quantas pessoas esperaram ter um dinheiro esse ano, mas acabaram sendo despedidas devido a pandemia?!
Não comparo minha situação a essas pessoas, sei que uma coisa é bem diferente da outra, só queria comentar sobre os “sonhos partidos”, sonhos daqueles que ainda ousam sonhar. Porque faz muito tempo que nem sei mais o que é isso. Me transformei ao longo do tempo em uma concha vazia, a medida que os anos passaram e não consegui ter a coragem necessária para realizar ao menos 20% daquela minha lista de 15 anos atrás.

Mais da metade daquela lista, dependia apenas de “coragem” da minha parte. Coragem de enfrentar pessoas, gritar o mais alto que pudesse aquilo que estava preso dentro de mim. Coragem de fazer acontecer. Mas acreditem, eu gritei, gritei o mais alto que pude, mas fui ignorada… Por muitos anos. Talvez, se eu tivesse feito outra coisa além de gritar, “2020” poderia não ter sido o tal marco. Mas só “gritei” e fui calada. E assim permaneci por muitos, muitos anos.

Se pensarmos direito sobre tudo isso, meus “atos” tiveram um certo planejamento. Houveram testes, fases, práticas, pensamentos, ideias, não tinha uma data certa, mas tinha uma data final… Foi, de certo modo, planejado. Ao longo dos 15 anos, no meu subconsciente que “morria” aos poucos dentro de sua concha, fui planejando seu destino final. Arquitetando seu homicídio.

E se tem uma coisa que aprendi com psicopatas inteligentes – da ficção e da realidade – é que só precisamos de tempo, tempo, e das ferramentas necessárias.
Então, entendam… Não foi a quarentena que me fez “surtar”, foi o tempo. Foi me sentir presa em uma obrigação, calada, silenciada, sem ser capaz de me mover sem que alguém pudesse dizer “mova-se”. Foi a sensação de não pertencer a mim mesma. 15 anos parece muito, mas para mim, foi quase um piscar de olhos… adormeci e silenciei.

Antes de Outubro de 2020, eu planejava não estar mais aqui. Como a sereia de Hans Andersen, viraria espuma no mar… Sem drama, sem despedidas, silenciosamente, igual aos 15 anos que morria dentro de mim mesma. Daí veio a pandemia… E eu pensei “como sumir silenciosamente se não vou estar sozinha em casa?” Mas o pensamento foi interrompido pelo caos que surgiu depois. Pelos inúmeros trabalhos de um curso que eu odiava; pelas pressões externas de outros; por mais trabalhos; por estresses; pelas enxaquecas já conhecidas, porém pioradas; por não ter como extravasar devido ao lockdown

E tudo aquilo que me “sustentava” e me mantinha sã, começou a desmoronar aos poucos… Procurei algo para me segurar, mas confesso, meu subconsciente já não queria mais “ficar aqui”, então, ao invés de me segurar em um farol… escolhi me segurar em uma corda arrebentada, na esperança que ela fizesse aquilo que eu queria, me atirasse no abismo. E como esperado, foi exatamente o que aconteceu… A corda idiota deu o empurrão que eu precisava e tanto queria. Era só fechar os olhos e pronto.
Mas, por motivos que fugiram de mim naquele momento, meus “faróis” se ascenderam quando deveriam estar apagados.

Gosto de faróis desde criança e gosto de usar essa analogia… Farol guiam os navios em segurança nas águas durante a escuridão da noite, sustentam-se firmes contra as ondas ferozes, e mesmo pela manhã, quando apenas parecem uma construção alta e sem sentido são mais seguras que âncoras. Por ironia do meu destino, acabei encontrando dois deles durante a quarentena… Um, tenho certeza que sabe, pois já me referi à ele assim diversas vezes; o outro, bom, não tenho tanta certeza. O fato é que, enquanto eu caia, eles se ascenderam… E por ascenderem, não consegui fechar meus olhos como deveria ser.

Se não fosse a pandemia, eu não os teria conhecido… Não há possibilidade alguma desse “encontro” ter ocorrido de outra maneira. Moramos no mesmo país, mas em estados completamente distantes um do outro. Não temos a mesma idade, e provavelmente, nem frequentaríamos os mesmos lugares… Só a quarentena nos uniu mesmo. Por que eles quiseram continuar como meus amigos depois? confesso, me perguntei isso diversas vezes, acho que até perguntei à eles. Só sei que não era para eu estar aqui, e estou. Não era para eu conhecê-los, e conheci. Há coisas que acontecem que não sabemos explicar, chamem do que quiser, chamarei de “destino”.

Meus “lighthouses” continuam na minha vida como os amigos que considero com carinho, foram o melhor presente que recebi nesse ano… E espero continuar com essa amizade pelo tempo que for. Não existe distância quando se tem whatsapp, mesmo que um deles seja quase um desaparecido no app hahaha
Acho que eles sabem o quanto sou grata por eles, por não desistirem de mim – mesmo quando implorei que fizessem isso – pela amizade que me deram quando os conheci – no virtual e na realidade.

Então é Natal… 2020… E estou aqui.
Estou aqui mesmo sem saber ainda por quanto tempo estarei… Se terei forçar para “continuar aqui”, mesmo sabendo que mais pessoas me apoiam, que meus amigos estão comigo sempre.
A doença é assim… Às vezes estou bem, às vezes nem tanto… A terapia ajuda e escrever também.
Mas é “Natal”, vamos nos ater as “esperanças felizes” para aqueles que ainda querem criar expectativas… Decidi viver sem elas, é melhor, é mais saudável – por enquanto – para minha cabeça.
Um dia de cada vez e seja o que o destino quiser.



Feliz Natal para vocês!
(Feliĉan Kristnaskon al ĉiuj)
Até a próxima!
(Gis la revido!)

Um comentário sobre “Então é Natal…

  1. Feliz que vc ainda está aqui, Bruce. Feliz que seu prazo não foi cumprido, porque agora você pode falar, gritar e saber que alguém vai ouvir, mesmo que não seja fácil. Porém você é mais forte do pensa e tem mais pessoas do seu lado do que pode imaginar. Que ter você em 2020 e que bom ter você por muitos anos mais.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s