Um Farol no Pampa

De volta aos “Pampas”, “Um Farol no Pampa” é a continuação da saga “A Casa das Sete Mulheres” que não chegou a ser produzido na televisão. A minisérie ignorou esse livro e praticamente fez uma fusão entre o primeiro e o último “Travessia” que conta a história de Anita e Garibaldi.

Como eu li os livros em Janeiro desse ano e não tinha previsão de voltar a escrever “resenhas ou só comentários” sobre nada 😂 Vou ficar devendo o último livro para vocês, poque não lembro muito dele, e ao contrário do volume 1 e 2 não cheguei a fazer anotações quando lia. Sorry! 😅

Título: Um Farol no Pampa
Série/Trilogia: A Casa das Sete Mulheres #2
Autor(a): Leticia Wierzchowski
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: histórico – romance – nacional
Inicio: 18/01/19
Término: 21/01/19
Rating: 🖤🖤🖤🖤

Assim como o primeiro livro, existem tempos diferentes nesse livro: o presente, quando o Antônio embarca do Rio de Janeiro para as terras herdadas por seu pai, Matias Gutierrez, no Pampa; a narrativa dos cadernos de Manuela que estão em sua posse; e os acontecimentos narrados em ponto de vista “observador”.

A história narrada nos diários de Manuela começa após a morte de Bento Gonçalves.

“A vida é um sopro.
Não somos mais do que uma vela acesa.”

Ao ser expulsa de casa pela mãe, Maria Manuela, vai morar com tia Antônia junto com seu marido João e o filho deles, Matias. No decorrer do nascimento do segundo filho, Mariana, falece no parto junto com a criança, deixando a criança Matias praticamente órfão, pois seu pai, o índio sofre calado a morte de sua amada. Matias então é criado como um filho por D. Antônia.

Perto da estãncia de D. Antõnia, fica a estância que Perpetua e Inácio moram com suas filhas, entre elas, Inácia é a mais importante para essa história. Inácia e Matias crescem próximos, muito amigos e nutrindo sentimentos um pelo outro. As duas crianças passam seus dias de diversão brincando no estaleiro que costumava ser Garibaldi, nas brincadeiras e promessas que só os pequenos podem criar.

Com a “Guerra do Uruguai” se aproximando, João que tem a alma à espera da morte para encontrar sua Mariana e o corpo que implora por uma batalha, segue com os filhos e netos de Bento Gonçalves para a peleja deixando o filho com D. Antônia. Outra guerra que isola e levaria embora mais integrantes da família, entre eles, o próprio João e Inácio.

“O amor, naquela casa, era feito de silêncios e de olhares. Era uma coisa inominável que fazia maravilhas e cortejava tragédias.”

A medida que as duas crianças crescem, Matias não vê a hora dele mesmo pegar uma espada, partir para as batalhas, e claro, casar-se com sua amada Inácia. O problema é que com a morte de Inácio, Perpetua perdeu sua estrutura e quase sua sanidade junto, e não quer nem imaginar sua filha casada com um mestiço de indio.

As baixas da guerra, a morte da avó Antônia, levam Matias para peleja junto com os primos Gonçalves, deixando com Inácia a promessa de voltar para casar-se com ela. Então, Perpetua tem a chance de apresentar candidatos mais adequados a sua filha, na tentativa de conseguir o que considera um bom casamento.

Matias conhece a tia Manuela, a quem tem muito apresso. Descobre que a guerra não é bem o que imaginava e que é isso que o mantém longe de sua amada. Tudo que ele quer é voltar para sua estância e casar-se. Mas a guerra tem outros planos e ele acaba sendo dado como morto após uma batalha sangrenta. Entre a vida e a morte, em seus momentos de delírios são as imagens de sua mãe, D. Antônia e Inácia que o deixam em paz.

“Quem tem um sonho, ah, este vive…
São os sonhos, tal alavancas invisíveis, que nos empurram para a frente, rumo à floresta de dias ainda não vividos.”

No presente, após a morte de seu pai, Antônio descobre via testamento que essse deixou para ele a estância que herdou da avó Antônia, nome em que recebeu em sua homenagem. Quando criança seu pai costumava lhe contar sobre a avó dele e seus próprios avós, falava com gosto de saudade dos pampas, mas nada além disso.

Mechendo entre os pertences de Matias, ele encontra cartas trocadas entre seu pai e a tia Manuela, além de outras pertencentes a quem não conhece. Já na idade de buscar suas próprias aventuras, Antônio decide partir do Rio de Janeiro e conhecer o tão amado pampa de seu pai, mesmo que sua mãe não concorde com isso.

Durante a viagem de navio ele ler as cartas de seu pai (acontecimentos narrados lá em cima), descobrindo sobre o primeiro amor de Matias e o tanto de coisa que o homem guardou para si mesmo, sofrendo sozinho para não machucar os que estavam ao lado dele. Ao chegar no Rio Grande do Sul, Antônio vai em busca de Manuela, a tia tão querida de seu pai que aos seus 55 anos ainda espera por Garibaldi.

Inicialmente, Manuela acha que o próprio Matias veio visitá-la após tantos anos, entretanto descobre seu engano quando o garoto que é identico ao sobrinho a informa da morte do mesmo e diz ser seu filho. Então lhe entrega os cadernos que passou anos escrevendo e ele parte para estância de D. Antônia.

O local um dia foi magnifico, mas que com o passar dos anos, tornou-se um tanto quanto abandonado e decadente. A casa velha tem história, segredos e mistérios, entretanto, Antônio se sente em casa. De dia, ele passeia pelos pampas, conhece o pessoal, escuta histórias sobre o passado, sobre seus pais e D. Antônia.

Durante à noite, quando andava perto do Farol de D. Antônia, ele encontra com uma jovem, ficando completamente encantado por ela. Ele tenta descobrir quem é a misteriosa garota, mas ninguém parece conhecê-la, seu nome é Carmosina, e “dizem” que ela é igual a sua mãe.

“A vida, dissera a avó, não podia ser desfeita. A vida não era como uma carta em que um vivente corrige seus erros sem pressa, passando a limpo cada pensamento, cada frase, antes de endereçar o envelope e, finalmente, dar curso aos acontecimentos. Não, para a vida, não havia volta.”

Eu queria ter visto uma versão desse livro na televisão 😍 gostei bastante… Até mais que o terceiro livro que cheguei a ler logo depois. A história de Matias foi tão sofrida quanto a história de amor de sua própria mãe, com alguns diferenciais claro! Também tivemos um pouco mais do João que geralmente era tão calado no primeiro livro (e na própria minisérie), mas é como dizem “o silêncio vale ouro”.

Tivemos uma “lembrança” de D. Maria na pele de Perpetua que sente-se igualmente perdida após a morte do amado marido, e em uma casa cheia de mulheres. E claro que ela vai buscar refugio nos braços de sua forte e amada mãe. Onde ambas acabam por encontrar consolo.

Mas não é só de sofrimento que se vive a vida.. A amizade entre Bentinho Gonçalves e Matias também foi um ponto forte, assim como seu relacionamento com a tia Manuela. Uma das únicas pessoas que ela aceitava encontrar em sua casa e durante seus mil anos de espera por alguém que jamais retornaria para ela.

O livro é muito bom e acabou pedindo uma continuação dessa história… Só acho! Não sei se tem, mas tenho certeza que não veio a ter… Uma pena! Queria ver aquela versão de “Mariana&Esteban”.2 😂 Entenderores entenderão! 😆

🔲 Até a próxima!

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