The Hate U Give / O Ódio Que Você Semeia

Um tempo atrás – talvez anos, sou péssima em questões temporais – vi um filme que tinha sido baseado em um livro com a atriz Amanda Stenberg, e acabei gostando de ambos. Daquele filme, dsquele livro – quando finalmente o li – e da atriz… Posso dizer até que virei fã dela. Então fiquei de olho, nos projetos que ela estava realizando, nos filmes que iam sair… E qual não foi minha surpresa ao me deparar com essa história.

Sim, mais uma vez acabei vendo o filme primeiro. Mas pensei comigo “se eu gostei tanto do filme, não tem como não gostar do livro, né? Não são – na maioria das vezes – os livros melhores que o filme?!” E como imaginei… amei!

 

Título: The Hate U Give / O Ódio que Você Semeia
Autor(a): Angie Thomas
Editora: Walker Books / Galera Record
Filme: The Hate U Give (2018)
Gênero: YA / Ficção
Inicio: 30/03/19
Término: 01/03/19
Rating: 🖤🖤🖤🖤🖤

Notas (pode conter spoilers):

Starr é uma menina negra de dezesseis anos que mora num bairro repleto de confusões de gangues e estuda em uma escola de “ricos brancos” à 45 min de casa. Seus pais, a ensinaram – desde sempre – como ela e os irmãos deveriam reagir ao serem abordados por um policial, e ela esperou nunca ter que passar por isso um dia. Mas desejar e acontecer são coisas muito diferentes.

Quando ela e seu amigo de infância, Khalil, são parados pela polícia, tudo que ela espera é conseguir sair dali o mais rápido e chegar em casa em segurança. Não contava com os tiros, o sangue e o corpo de seu amigo caindo morto no asfalto. E de uma hora para outra, ela se tornou a testemunha que precisa encontrar sua voz e lutar por aquele que perdeu a sua.

 

angiethomas

 

Se o filme me deixou sem palavras… O livro me deixou sem fôlego. 

Starr vive duas vidas: tentando não ser a garota negra do “gueto” na escola de brancos ricos, e ser a garota negra no bairro de negros. Na sua escola, ela não é a Starr verdadeira, ela se esconde… Usa uma máscara para evitar ser taxada e rotulada. É exaustivo. Naquele lugar, ela esquece que tem voz, deixa os outros falarem por ela, deixa que eles decidam por ela… A única parte “normal” de sua vida lá é Chris, seu namorado  branco.

Seu pai é dono de um mercadinho, mas antes se meteu com uma das gangues do bairro, os King, e acabou na prisão por isso. Hoje, ele mantém suas crianças longe disso, tenta ajudar o bairro da maneira que pode, e luta todos os dias – ao seu modo – contra os que fazem o bairro sangrar. Ele tenta ser a voz, a voz da minoria que não é ouvida, a voz que ensina aos filhos que não se pode deixar esquecer.

Starr sempre pensou que quando chegasse sua vez, sua voz ia gritar ao mundo, deixar-se ouvir em qualquer lugar… Mas o medo paraliza. E é lá que Starr está agora. Presa dentro do seu próprio medo. Ela não consegue ver mais um policial – com exceção de tio Carlos – sem lembrar daquela noite. Não consegue conversar sobre isso. E acha que está traindo “sua raça” ao estudar na escola que estuda, namorar um branco e não dar voz a Khalil contra o policial que o matou.

Mas ela percebe que não precisa enfrentar isso sozinha e que mesmo com as ameaças que recebe por todos os lados, ela é capaz de gritar.  E no meio do caminho, ela descobre que ter ‘suas vidas’ se chocando, talvez, não seja uma colisão tão ruim assim.

thug-quote001

 

Livros são vozes e esse grita! 
Grita porque sua mensagem é uma realidade para muitas pessoas ainda, infelizmente. Grita porque em pleno século XXI, o mundo é capaz de mudar de diversas maneiras, mas as mudanças que deveríamos exercer sobre como o vemos, não muda. Ou talvez mude, aos poucos… Em passos lentos como se isso não machucasse ninguém. Como se fosse ainda um vestígio de pensamento e ideais criando forças antes de levantar seu voo.

Eu gostaria de ter lido esse livro achando que fosse só mais um de ficção, daqueles com histórias inventadas ou baseado, talvez, em uma realidade que não existe mais. Não é. Mas espero que um dia seja. 

Porque assim como Starr, espero que as pessoas não esqueçam, espero que não se calem e espero que lutem… Lutem por um mundo melhor, por uma sociedade em que as únicas cores importantes sejam as que você precisa se decidir para pintar sua casa.
Esse livro foi simplesmente real!

angie thomas movie

“Filmes são a ponta visivel do iceberg; livros são o que você não vê, aquilo que está abaixo do oceano.”

Já vi essa frase – ou algo parecido – em algum lugar antes e sempre achei que realmente era um bom “conceito” quando se trata de adaptações literárias nas telas de cinema. Em grande parte das vezes, o filme acaba ficando muito superficial (ou ruim mesmo 😂) e nós – fãs – não conseguimos não fazer comparações.

Tenho que confessar que deixei de “fazer comparações” há muito tempo, prefiro vê-los como coisas separadas que possuem apenas inspiração no mesmo lugar. Já para evitar me decepcionar demais…

Então, sobre o filme só vou dizer que apesar das – sempre existentes – diferenças entre um e outro, a versão cinematografica conseguiu ser bem fiel a história. À grosso modo, sim tiveram aqueles detalhes, frases e momentos que você poderia querer ver no filme… Ou personagens que chegaram a serem omitidos… Mas a mensagem… A voz… Ela estava lá! E pra mim, isso é o que importa! 😉

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s